Pelas manhãs dá aulas no conservatório, pelas noites, faz ruído.
Aos sábados adoras os sapatos de salto alto, às segundas a sensação de uma pedra no sapato.
De ida mastigam rios, de volta aspiram tiras de mofo.
Com olhos abertos abro-me em frigideiras, com os olhos fechados, atravesso esse buraco.
Ontem sanduíche de destino com aplanadoras, hoje, pó de debaixo do tapete.
De portas para fora agarro-me a eles, de portas para dentro apanho um tiro.
De cintura para cima faz marmelada às metades, de cintura para baixo, sabe perdoar.
À direita os vícios do cortejo, à esquerda as virtudes da corte.
De dia ordenha a vaca da responsabilidade, de noite meto o meu encanto debaixo de martelos percutores.
Por diante que nada se lembre de nós, por detrás a metralha está na carne.
Em cima do papel prodigioso folclore de indícios, por baixo do papel, medo de voar.
Às 23:45 estrias no antebraço, às onze da manhã, como um vulcão.
Antes isto não me agradava nada, agora, adoro.

– Yolanda Castaño

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