Dentro desta garrafa cabe o mar.
Dentro desta garrafa
cambaleia o céu,
cambaleia o sol dos bêbedos
com sua verdade às costas,
com a maré das suas amarguras.
Dentro desta garrafa bailam moscas
como helicópteros bombardeados,
passeiam baratas com guarda-chuvas.
Dentro desta garrafa chove ausência.
Sua parede giratória desfigura meus rostos,
curva-me a expressão, abre-me as pupilas:
há tempestades de golpes no seu magma.
Dentro desta garrafa está o vazio
de que me encho quando bebo e bebo.
Abandonada para a reciclagem,
eu sou esta garrafa.

– Ángel Guinda

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