Na longa lista de Petrarca  não há uma categoria especificamente dedicada ao desespero. Julgava conhecer o manual de cor e eis  quando reparo que, numa das consultas,  o Mestre  responde a quem se queixa do ruído e dos modos dos  cães do vizinho. Explica ele : Quem aprende  a suportar os incómodos causados pelas pessoas  não temerá os provocados pelos cães. Estes serão sempre menos  numerosos, menos ferozes e menos enraivecidos do que aquelas.

O desespero é das emoções mais difíceis  de gerir numa terapia ou em aconselhamento. A pessoa está pouco receptiva à racionalização, está defensiva, é, digamos, um gato eriçado. Diante de um cão. Seja pela falta de dinheiro ( Petrarca  tem  a teoria da Troika sobre a pobreza: deixa-a entrar e serás virtuoso), pelo abandono amoroso, pela doença ou pelo luto.
Costumo, depois dos preliminares ( empatia, escuta, fuzilamento de lugares comuns), ir por um caminho que  aprendi comigo e com outros desperados: põe ao lado do  que o desespero te tirou,  tudo o que ele ainda te pode  tirar.

 

Depressão Colectiva

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