Ando a descarrilar na ausência dos dias
passam as coisas por mim e nem as vejo
vejo de outra maneira qualquer
que não deve ser a dos olhos
uma miopia constante nas minhas horas
nas minhas palavras
e nos meus dedos

a memória às vezes ajuda-me
e sou eu que passo pelas coisas
as coisas passadas têm outra importância
as que ainda vêm são ausentes

então fico-me numa intermitência
entre o que é importante e o inexistente
e isso dá um resultado de: nada
como o nada não existe, deve ser preto
e eu não vejo no escuro

mas isto de ser cego não é só culpa dos olhos
vem de outro sítio qualquer

Cláudia R. Sampaio

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