Toda uma vida não basta para desaprender o que ingénuo, submisso, deixaste entrar na tua cabeça — inocente! — sem medir as consequências.

Com os teus defeitos, nada de pressas. Não tenhas a leviandade de os corrigir.
Que irás colocar no seu lugar?

Guarda a tua má memória. Ela tem a sua razão de ser, sem dúvida.

Guarda intacta a tua fraqueza. Não procures adquirir forças, sobretudo essas que não são para ti, que não te são destinadas, das quais a natureza te preservou, preparando-te para outra coisa.

Falta de sol, aprende a amadurecer no gelo.

Se traças um caminho, atenção, terás dificuldades em regressar à vastidão.

Num país sem água, que fazer da sede?
Orgulho.
Se o povo for capaz disso.

Esquiador no fundo de um poço.

O sábio transforma a sua cólera de tal maneira que ninguém a reconhece. Mas ele, sendo sábio, reconhece-a… às vezes.

A relha do arado não foi feita para o compromisso.

Que destruir quando finalmente tiveres destruído o que querias destruir? A barragem do teu próprio conhecimento.

Num país de planícies, tráfico de colinas. É a regra.

– Henri Michaux

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