A poesia é para se ser livre. Não é estanque. Não existem academias ou falsas humildades. Falsas volúpias. Não está na escola ser-se o que não se é. Não devia. O útero do papel no limite, não é formal. É gravidez. É Luz.
A liberdade não é, portanto, formal. É digna mas não é formal. E este útero de que falo, é livre.
Os poemas, a escrita, estão sempre correctos desde que se pareçam com borboletas passando as asas na nossa pele.
A poesia é uma borboleta. Atentíssima. Está na origem dos jardins, da fruta quieta na árvore, das flores desassossegadas. Está na liberdade do voo dos pássaros. Não termina nunca.
O fim do mundo é, só por si, um poema lindo.
É para se ser livre. Para se ter espaço.
A poesia não analisa nada. Realiza, constrói e destrói. Mata.
Estrelas a mais barrando a subida – pouca gente lhe chega.
A minha posição em relação a ela, é a de um animal submisso. Ela toca-me e abro as mãos, estendo os braços. Abro os olhos. Sou a águia. Vejo tudo. Respiro. Voo. Caço.
É para ser livre. Ela caminha soberba. Não é o paraíso.
A poesia é a mais ilustre e verdadeira ave de rapina.

Patrícia Baltazar

Advertisements