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Hungry Hearts, de Saverio Costanzo (concurso), começa como uma comédia burlesca (um par, Adam Driver e Alba Rohrwacher, conhecem-se numa casa de banho, onde ambos ficam fechados). É um início enganador face ao que depois vai acontecer e daí talvez não, talvez seja uma cena decisiva e cheia de verdade: a personagem de Alva está obsessivamente com o dedo no nariz, porque Adam evacuou, e essa obsessão dela com a pureza vai revelar-se mais do que desestabilizadora, vai revelar-se patológica, no quotidiano do futuro casal com criança.

Vai ser quase um filme de terror. Essa passagem por géneros, e esta conjugalidade a ser engolida pelo thriller psicológico, é qualquer coisa de irresistível que Saverio Costanzo trabalha com dedicação. Mas revela-se bem mais à altura da ambiguidade do que capaz de lidar, sem se aproximar da paródia involuntária, com a explicitação. São habilidades demasiadamente domésticas para ser um Rosemary’s Baby (ainda que vegetariano).

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