este é o ritmo de si própria que ela inventa:

um poema.
depois outro poema

de novo um poema, iludindo a paixão.

viagens de poeira e secura à beira das estradas quase sempre desertas, em incontáveis dias e meses de lentidões absurdas. mas é o trilho do sonho que a impele, a ânsia do conhecimento que a invade, e portanto ela parte, vai e torna sempre; avesso e regresso na urgência do saber. por isso de novo sai, se distancia, regressa e fica, por vezes sonsa outras vezes áspera, outras ainda esquiva, juntando o termor à coragem, a modernidade ao clássico, a ousadia simulando o antigo. misturando os papéis: aqueles que recusa e os que, mesmo a contragosto, aceita.

parto depois de cada parto.

e de poema.

o delírio é uma arte que cultiva à pena, na invenção da alma e da natureza.

mas não será o corpo o melhor de si, o que nela sustenta a tanta luz e avoluma a tanta rebeldia?

ou o poema?

o excesso como arma ou como pena, na verbana das tardes, quando nela tudo volteia, se incendeia e arde.

maria teresa horta
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